quinta-feira, 13 de março de 2008

USP endurece regras de jubilação de estudantes

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL FSP

Uma mudança no regimento geral da USP alterou as regras para cancelar a matrícula (jubilação) de alunos que deixem de freqüentar cursos.
A partir da nova resolução, assinada pela reitora Suely Vilela, ficaram menores os períodos em que o aluno pode permanecer fora da universidade sem perder automaticamente o direito à matrícula. O prazo caiu de três para dois semestres consecutivos sem matrícula.
Avaliada desde 2005, a medida foi aprovada pelo Conselho Universitário no último dia 4 e passou a vigorar anteontem.
As mudanças, porém, só começam a ser aplicadas aos estudantes que entraram na universidade a partir deste ano. A USP conta com cerca de 50 mil alunos na graduação.
"A intenção da nova regra é identificar com mais antecedência aquele aluno que evadiu, para podermos usar essa vaga", disse o professor Quirino Augusto de Camargo Carmello, coordenador da câmara do conselho de graduação que analisou a mudança.
Anualmente, a USP realiza um concurso de transferência, para que estudantes de outras instituições possam ocupar as vagas ociosas.
Outra mudança determinada pelo conselho prevê que o aluno perde a matrícula quando ficar dois semestres seguidos sem nenhum crédito (ou seja, aprovado em ao menos uma disciplina). O regimento antigo previa até quatro semestres.
Uma das alterações mais contundentes do regimento acaba com a possibilidade de o aluno ficar indefinidamente fora da universidade sem perder o vínculo de forma definitiva.
O estudante excluído podia pedir reanálise e, havendo vaga, retomar o curso a qualquer momento (mesmo que 20 anos depois). Agora há um limite de cinco anos para isso -e o pedido só poder ser feito uma vez.

Em viagem
A Folha procurou a reitora para comentar a mudança no regimento da universidade, mas a assessoria de imprensa informou que ela está em viagem oficial e não pôde conceder entrevista. A instituição não informou quantos alunos são jubilados anualmente.
A reportagem procurou também o DCE (Diretório Central de Estudantes) ontem, mas ninguém da diretoria estava. A Folha deixou recados, mas ninguém da entidade telefonou de volta para o jornal até a conclusão desta edição.
"A mudança no regimento ajuda a controlar problemas causados pela evasão, mas é preciso informar ao aluno quando ele estiver prestes a ser jubilado", diz o presidente da Adusp (Associação dos Docentes da USP), Otaviano Helene.
Helene criticou somente o estabelecimento de prazos para que o estudante apresente pedido para ser reincorporado. "É desnecessário, porque não implica nenhum custo para a universidade."

Gene "mafioso" controla câncer de mama

Japoneses radicados nos EUA descobrem um segmento de DNA que coordena a função de outros mil genes tumorais

Pesquisadores afirmam que mecanismo tem papel no surgimento da metástase; desligamento de gene pode resultar em tratamento

NIST
Células de tumor de mama que apresentam gene defeituoso


RICARDO BONALUME NETO
DA REPORTAGEM LOCAL

Não é sempre que um chefão da máfia ou do narcotráfico é preso ou leva uma bomba na cabeça. O mesmo acontece com genes ligados a doenças: nem sempre se consegue provar a sua culpa. Uma equipe de pesquisadores nos EUA identificou agora um gene capaz de controlar outros mil genes como se fosse um líder de gangue, e com isso promover o crescimento dos tumores de mama.
Mais grave ainda, o gene "mafioso", o SATB1, tem papel ativo na formação de outros focos de câncer no organismo -o processo chamado metástase, que é a causa de morte mais comum em pacientes da doença.
O estudo foi liderado pelos casal de pesquisadores Terumi Kohwi-Shigematsu e Yoshinori Kohwi, do Laboratório Law- rence Berkeley, da Universidade da Califórnia em Berkeley.
A descoberta pode servir tanto para criar diagnósticos mais precoces e precisos quanto para uma eventual terapia. "O SATB1 pode ser útil como alvo terapêutico na doença de mama com metástase", escrevem os autores em artigo na edição de hoje da revista "Nature".
Os cientistas também demonstraram em experimentos com camundongos que, depois de inativado o gene, também termina a proliferação alucinada das células tumorais.
O SATB1 e a proteína que ele codifica têm um papel normal num organismo sadio. Ele é uma espécie de "organizador" de outros genes, mas pode voltar esse talento para o "crime" e causar tumores agressivos que crescem e se espalham.
"Depois que o chefe do crime é retirado do contato com sua gangue -as células de mama tumorais-, essa comunidade retorna a ser uma comunidade sadia, não tendo mais a habilidade de se engajar em crime. Por isso é extremamente importante alvejar o SATB1", disse Kohwi-Shigematsu à Folha.
Segundo a pesquisadora, uma vez reprimido o gene, o câncer perde seu potencial de agressividade. "Mas é importante que o SATB1 seja mantido assim a longo prazo, para evitar que as células cancerosas voltem a se espalhar", afirmou.
O SATB1 é necessário quando células T do sistema imunológico (de defesa do organismo) são ativadas para produzir citocinas, substâncias que promovem a produção de anticorpos por outras células de defesa, as células B. Se o SATB1 for retirado de células T sadias, os pacientes sofrem problemas na sua reação imunológica.
"Só que nós descobrimos, inesperadamente, que ele se expressa em um subconjunto de células cancerosas e essas células ganham atividade de metástase. O SATB1 é, de fato, determinante para a metástase do câncer de mama", diz a cientista nascida no Japão.
Essa descoberta também modifica a maneira pela qual os cientistas compreendem a metástase, um processo de várias fases, desde a invasão das células tumorais em tecidos adjacentes até sua ida para a circulação e criação de um novo foco em outra parte do corpo.
Em geral, acreditava-se que as células metastáticas seriam raras e surgiriam em estágios finais da progressão do tumor a partir de mudanças genéticas. A novidade agora foi mostrar que há células em alguns tumores primários que já são predispostas à metástase e que a proteína SATB1 tem papel nisso.

SATB1 reprogrammes gene expression to promote breast tumour growth and metastasis

Hye-Jung Han1, Jose Russo2, Yoshinori Kohwi1,3 & Terumi Kohwi-Shigematsu1,3
Mechanisms underlying global changes in gene expression during tumour progression are poorly understood. SATB1 is a genome organizer that tethers multiple genomic loci and recruits chromatin-remodelling enzymes to regulate chromatin structure and gene expression. Here we show that SATB1 is expressed by aggressive breast cancer cells and its expression level has high prognostic significance (P <>1,000 genes, reversing tumorigenesis by restoring breast-like acinar polarity and inhibiting tumour growth and metastasis in vivo. Conversely, ectopic SATB1 expression in non-aggressive (SKBR3) cells led to gene expression patterns consistent with aggressive-tumour phenotypes, acquiring metastatic activity in vivo. SATB1 delineates specific epigenetic modifications at target gene loci, directly upregulating metastasis-associated genes while downregulating tumour-suppressor genes. SATB1 reprogrammes chromatin organization and the transcription profiles of breast tumours to promote growth and metastasis; this is a new mechanism of tumour progression.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Acelerando a transferência do conhecimento

A ampliação do número de doutores nas corporações é um vetor capaz de acelerar a absorção e a incorporação rápida do avanço científico

FSP

O SANTA FE INSTITUTE (SFI) , localizado no alto das montanhas do Novo México, nos Estados Unidos, é um símbolo de pesquisa avançada, marcada pelos estudos sobre complexidade, pelo enfoque multidisciplinar e pela ousadia.
Ousadia essa que se manifesta nos temas ambiciosos das pesquisas em andamento e na convivência de diferentes culturas e múltiplas áreas do conhecimento científico.
Os grandes temas cobrem desde a física dos sistemas complexos até estudos quantitativos sobre o comportamento humano e as instituições sociais, abordando grandes problemas como mudanças climáticas, violência, terrorismo e epidemias. No tradicional chá, servido diariamente às 15h, debate problemas vários um seleto grupo de professores e pesquisadores, que inclui desde Murray Gell Mann, Prêmio Nobel de Física, até o escritor Cormac McCarthur, ganhador do Prêmio Pulitzer e autor de vários livros, entre eles o romance que inspirou o filme "Onde os Fracos Não Têm Vez", ganhador do Oscar de melhor filme deste ano.
Não custa dizer que toda essa ousadia está solidamente lastreada em pesquisas cujos resultados aparecem freqüentemente nas mais prestigiosas revistas científicas, como a "Nature" e a "Science". O Santa Fe Institute é uma instituição privada, totalmente independente, financiada por agências do governo e recursos oriundos do setor privado. O que, no entanto, torna esse pequeno instituto uma jóia no cenário científico internacional?
Não é apenas uma ambiciosa e arriscada agenda de pesquisa, mas também a forma como ele se relaciona com a sociedade e as empresas. Como pesquisador-visitante durante um período, fui convidado a fazer uma apresentação em um evento organizado pelo instituto, com o objetivo de ampliar a rede de relacionamento do SFI com o mundo corporativo. Algo pouco usual para os tradicionais institutos de pesquisa. Uma questão logo me ocorreu: como os resultados de pesquisas básicas, voltadas para avançar o conhecimento fundamental em áreas distantes do horizonte empresarial, iriam despertar a participação de executivos e estrategistas de grandes empresas?
No seminário, estavam representantes de algumas das maiores empresas globais de diferentes setores da economia e vários pesquisadores, que incluíam biólogos, matemáticos, antropólogos, economistas, físicos e cientistas da computação. O foco era, no entanto, bem claro: apresentar resultados de pesquisas, na maior parte das vezes resultados de pesquisas multidisciplinares, mas apoiados em sólidas teorias quantitativas.
A ponte entre a pesquisa e sua aplicabilidade para as empresas estava a cargo dos participantes, e não dos pesquisadores, que na maior parte dos casos, desconhecem os problemas da realidade das empresas. A inversão da ordem dessa equação tradicional de transferência do conhecimento requer uma condição básica: que os geradores do conhecimento e os receptores tenham níveis compatíveis de formação e informação. O que em termos práticos traduz-se na necessidade das empresas e indústrias terem profissionais com doutorado em seus quadros.
As pesquisas em si já tinham algo de inovador, algo além da fronteira das disciplinas, que desperta múltiplas possibilidades de análise. Na apresentação de uma teoria formal e quantitativa sobre evolução cultural de diferentes grupos sociais em diferentes países, os participantes das empresas estabeleceram de imediato uma ligação entre o modelo proposto e sua aplicabilidade aos problemas decorrentes dos processos de fusão de grandes corporações.
Nessa experiência inovadora do SFI, colocando juntos pesquisadores e executivos, ciência básica e pragmatismo empresarial, vêem-se alternativas para a aceleração da inovação no Brasil. A transferência do conhecimento científico e tecnológico é um componente essencial para o país avançar no desenvolvimento econômico. A ampliação do número de doutores na indústria e nas grandes corporações é um vetor capaz de acelerar a absorção e a incorporação rápida do avanço científico e tecnológico. A aproximação efetiva do setor privado e instituições de pesquisa científica e tecnológica, por meio da proposição de problemas estratégicos e do financiamento da pesquisa, abre caminhos para acelerar o processo de inovação tecnológica no Brasil.


VIRGILIO FERNANDES ALMEIDA é professor titular do Departamento de Ciência da Computação da UFMG e membro da Academia Brasileira de Ciências.

A cara da Veja

A cara da Veja, para todos os leitores que freqüentam o portal da revista, é o Blog de Reinaldo Azevedo.

Assista à campanha institucional da revista. Analise as imagens, mostrando os problemas nacionais, a miséria, as criancinhas, a violência. E confira, na prática, “qual o pais” que Veja quer ser.

Uma revista é o que ela publica, não o que a publicidade imagina.

Clique aqui para ler no Blog.

E aqui para ler no Google Pages.

quinta-feira, 6 de março de 2008

turista brasileiro na espanha

O tema dos turistas brasileiros na Espanha voltou com força total. Há um mês aqui neste espaço tratamos deste assunto, reclamando da inércia do Itamaraty. A afronta continua e o truculento não vai respeitar o frouxo. A imigração no Aeroporto de Barajas escalou a virulência, ontem deteve 30 estudantes brasileiros e os deportou, incluindo dois mestrandos que estavam na programação oficial de um congresso em Lisboa e viajavam com recursos da Uviversidade Estadual do Rio de Janeiro.
Considerações : A partir da primeira crise, da física Patricia , detida e deportada, o Governo brasileiro nada fez.
Alguns leitores aqui disseram que era um absurdo fazer represálias, algo que hoje o Itamaraty em nota menciona. Já devia ter feito antes e agora não deveria ameaçar, deveria agir. Parece aquele falso valentão que começa tirando o paletó e vai arregaçando a camisa em câmara lenta. Não vão fazer nada.
Represálias simples e de rápido efeito :
1.Aviso oficial aos brasileiros para que evitem a Espanha.
2.Suspensão por 30 dias de v|ôos do Brasil à Espanha, por este País não assegurar tratamento digno ao passaporte brasileiro. Se 30 dias não resolveram, prorrogar para um ano.
3.Suspender a entrada de espanhois no Brasil.
A truculência da imigração espanhola ultrapassa todos os limites da razoabilidade. Estão atuando por preconceito e cabe a um Governo que se dê ao respeito defender seus cidadãos, não somos o Timor Leste ou o Benin o Brasil tem caife.
Mas falta outra coisa.

Coiled-Coil Irregularities and Instabilities in Group A Streptococcus M1 Are Required for Virulence

Case McNamara,1* Annelies S. Zinkernagel,2 Pauline Macheboeuf,1 Madeleine W. Cunningham,3 Victor Nizet,2,4 Partho Ghosh1,5{dagger}
Science 7 March 2008:
Vol. 319. no. 5868, pp. 1405 - 1408
Antigenically variable M proteins are major virulence factors and immunogens of the human pathogen group A Streptococcus (GAS). Here, we report the ~3 angstrom resolution structure of a GAS M1 fragment containing the regions responsible for eliciting type-specific, protective immunity and for binding fibrinogen, which promotes M1 proinflammatory and antiphagocytic functions. The structure revealed substantial irregularities and instabilities throughout the coiled coil of the M1 fragment. Similar structural irregularities occur in myosin and tropomyosin, explaining the patterns of cross-reactivity seen in autoimmune sequelae of GAS infection. Sequence idealization of a large segment of the M1 coiled coil enhanced stability but diminished fibrinogen binding, proinflammatory effects, and antibody cross-reactivity, whereas it left protective immunogenicity undiminished. Idealized M proteins appear to have promise as vaccine immunogens.

A Cholesterol Biosynthesis Inhibitor Blocks Staphylococcus aureus Virulence

Chia-I Liu,1,2,3* George Y. Liu,4* Yongcheng Song,5*Fenglin Yin,6 Mary E. Hensler,7 Wen-Yih Jeng,1,2Victor Nizet,7,8{dagger} Andrew H.-J. Wang,1,2,3{dagger} Eric Oldfield5,6{dagger}

Science 7 March 2008:
Vol. 319. no. 5868, pp. 1391 - 1394
Staphylococcus aureus produces hospital- and community-acquired infections, with methicillin-resistant S. aureus posing a serious public health threat. The golden carotenoid pigment of S. aureus, staphyloxanthin, promotes resistance to reactive oxygen species and host neutrophil-based killing, and early enzymatic steps in staphyloxanthin production resemble those for cholesterol biosynthesis. We determined the crystal structures of S. aureus dehydrosqualene synthase (CrtM) at 1.58 angstrom resolution, finding structural similarity to human squalene synthase (SQS). We screened nine SQS inhibitors and determined the structures of three, bound to CrtM. One, previously tested for cholesterol-lowering activity in humans, blocked staphyloxanthin biosynthesis in vitro (median inhibitory concentration ~100 nM), resulting in colorless bacteria with increased susceptibility to killing by human blood and to innate immune clearance in a mouse infection model. This finding represents proof of principle for a virulence factor–based therapy against S. aureus.

Joshua Lederberg (1925-2008)

Stephen S. Morse*

Science 7 March 2008:

Joshua Lederberg was one of the great scientists of our age. With his death on 2 February, the world has lost one of its foremost scientific intellects, as well as an extraordinary humanitarian.

These qualities were apparent early in his life. Descended from a long line of rabbis, Josh was expected to continue the tradition. But at age 10, when he decided to become a scientist instead, his father reassured him that "All those who seek the truth are doing God's work." And when two high-school classmates died in World War II, he vowed to make up for their sacrifice by his own life and work (he was too young to be in the war himself).

For the many people he helped over the years, Josh was the ultimate mentor. Twenty years ago at a Rockefeller University gathering that I attended, his wife Marguerite reminded him that he had some virology questions. So began a continuing conversation. Following up, I sent Josh a memo about "emerging viruses," and shortly afterwards received a handwritten note declaring, "The problem of emerging viruses is one that must be addressed at the highest levels." This led to the "Conference on Emerging Viruses" that John LaMontagne and I organized at the National Institutes of Health in 1989, in which Josh actively participated. He organized and chaired a landmark Institute of Medicine study on "Emerging Infections: Microbial Threats to Health in the United States" (published in 1992), and the subsequent "Forum on Emerging Infections" (now the "Forum on Microbial Threats"), and invited me to work with him on these committees.

Born in Montclair, New Jersey, in 1925, Josh grew up in New York City. After graduating from Columbia University in 1944, and 2 years in medical school, he decided on a career in research. Transferring to graduate school at Yale University, he studied with Edward Tatum and received his Ph.D. in 1947. His receipt of the Nobel Prize in 1958 was based largely on his graduate research on the organization of the genetic material in bacteria and on genetic recombination. His work on genetic transfer by conjugation opened the door to molecular biology with bacteria. At the University of Wisconsin, he and his graduate student Norton Zinder discovered transduction, a mechanism of genetic exchange in bacteria facilitated by bacteriophage. Many bacterial virulence factors are now known to be acquired in this way. In 1959, Josh moved west to start the Department of Genetics at Stanford University. He returned to New York in 1978 as the fifth president of The Rockefeller University. When he officially retired as president in 1990, he reopened his lab, and nurtured many creative young scientists. It was not uncommon to spot him on campus wearing a short-sleeved shirt and a Rockefeller baseball cap.

Figure 1
CREDIT: HULTON-DEUTSCH COLLECTION/CORBIS
His abiding biological interest was in the sources of genetic variation and the effects of natural selection. Fascinated by the complex relationships between humans and microbes, he remained concerned that future plagues might devastate humankind.

Josh also had a gift for the apt metaphor. He noted that "the historiography of epidemic disease is one of the last refuges of the concept of special creationism." In recent years, he adopted the metaphor of the food chain, comparing humans and microbes and questioning which was really at the top of the chain. He referred to a "World Wide Web of microbial genomes," prefiguring metagenomics. After hearing him speak, the listener might be struck later by profound observations that had initially gone unnoticed.

A great visionary, Josh was endlessly curious and creative. His footprints can be found in many fields. In addition to his wide interests in biology, he had long been interested in the use of computers in science and was a pioneer in the field of bioinformatics. At Stanford, he collaborated on DENDRAL, an early project in chemical-analysis expert systems using computers. Later, he helped develop the concept of the "collaboratory," a virtual collaboration across geographic boundaries. The advent of the Internet is now helping to bring that dream to fruition. Appropriately, electronic copies of many of his personal papers are available on the Web at the National Library of Medicine.

Perhaps less known is his interest in exobiology (a term he coined). After the launch of the Sputnik satellite in 1957, Josh wanted to ensure that biological science was part of space research programs. His earliest scientific efforts with the National Aeronautics and Space Administration were directed toward developing approaches to identify life on other planets. Later, he advised the agency on precautions for decontaminating returning spaceships.

Josh was a central figure in science policy, and was generous with his time whenever the government or colleagues needed his advice. Before back pain and complications of orthopedic surgery precluded travel, he would regularly shuttle between New York and Washington, DC, sometimes making several round trips a week. At one meeting, he characteristically joked, "We always meet in the most expected places."

In the last few years, despite often being in pain, his eyes lit up whenever the conversation turned to science. That Josh's contributions to science and science policy were of the highest order is indicated by his many awards and honors. In addition to the Nobel Prize, these included the National Medal of Science, election to the National Academy of Sciences, charter membership of the Institute of Medicine, and the Presidential Medal of Freedom. But these only begin to hint at his broad interests and contributions. He was a longtime board member of the Council on Foreign Relations, held the Order of Arts and Letters from France, and was an avid reader, from scientific literature to military history of World War II and the Times Literary Supplement.

He leaves behind Marguerite, their two children and grandchildren, and devoted colleagues. But he also leaves generations of scientists whom he encouraged and prodded to new heights. With his brilliance and generosity of spirit, he brought light everywhere he went.

ANIMAL RIGHTS: Brazilian Scientists Battle Animal Experimentation Bans

Martin Enserink

Science 7 March 2008:

Brazilian scientists are fighting a series of local attempts to ban animal experimentation that they say could cripple scientific research. At the top of their list: a controversial law passed 2 months ago by the city of Rio de Janeiro that prohibits all animal experiments at private companies. Researchers are hoping that a comprehensive federal bill addressing animal experimentation, which has been lingering in the Brazilian Congress for 12 years, will put a stop to such local bans.

The battle in Rio, a major biomedical research hub, has gone on for more than 2 years. In 2006, the city council passed an animal-welfare law, introduced by actor-turned-politician Cláudio Cavalcanti, that would have banned all animal experiments in the city. Mayor César Maia vetoed the bill. A second version, passed in September 2007, made an exception for universities and public organizations such as the Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz), a major vaccine producer. Maia vetoed that one, too. But the council overrode his veto on 26 December.

The law has not taken effect yet, and the mayor does not appear in a hurry to enforce it, says animal physiologist Luis Eugênio Mello of the Federal University in São Paulo, president of the Federation of Brazilian Societies of Experimental Biology. But if enforced, the ban could force several Rio biotech companies out of business. "It's a crazy law," says Eduardo Krieger, a former president of the Brazilian Academy of Sciences.

A comparable far-reaching bill was approved in December by Florianópolis, the capital of the southern state of Santa Catarina; that law was replaced by the city's mayor in February with much less stringent regulations. Similar legislative plans are afoot in other cities.

Brazil's scientists contend that regulating animal research should not be a local issue and are arguing for a federal law. Indeed, such a bill was introduced in 1995 by Chamber of Deputies member Sérgio Arouca, who was once director of Fiocruz; it would ban animal experiments if other alternatives are available, require ethics committees to approve studies, and set up a national council to issue guidelines. But the bill never came to a vote, and Arouca died in 2003.

Figure 1 No petty issue. Cláudio Cavalcanti is pushing for a ban on animal experiments to include the Instituto Oswaldo Cruz (top).

CREDITS (TOP TO BOTTOM): ROBERTA SMANIA; COURTESY OF CLÁUDIO CAVALCANTI

Researchers say "Arouca's law" would protect them from a wave of municipal or state initiatives, and they have been lobbying hard to get the bill to a vote. Animal-rights activists oppose it, however. Ethics panels, which already exist at the majority of research institutions, are dominated by scientists and rubber-stamp proposals, says George Guimarães, director of Ethical Vegetarianism, Animals Rights Defense and Society, a São Paulo-based group.

The researchers' lobbying appears to have paid off, says Mello, with "support from left to right" in Congress. And recently, Brazil President Luiz Inácio Lula da Silva, who has made advancing research a national priority, named Arouca's law among his legislative priorities. Guimarães agrees that the federal bill is now likely to pass. But a legislative stalemate in the Congress, unrelated to the bill, could make it hard to pass any laws at all in 2008, Mello warns.

Cavalcanti says that he wants Rio's mayor to enforce his law; he will also reintroduce the proposal for a total ban this year. Officials at Fiocruz, a big yellow fever vaccine producer, have warned that such a move could imperil routine quality testing of vaccines. But Cavalcanti says that he does not believe animal research can benefit human health. A single-issue politician, he has offered to become a guinea pig himself if it can help save animals. "This is my mission, my only reason for living," he says.

Scientists should do more to counter the cruel image of animal studies that activists have promoted and explain why such work is necessary, says Walter Colli of the University of São Paulo. "We are guilty of not having done enough to influence public opinion," he says. "The average citizen is confused."

quarta-feira, 5 de março de 2008

Ciência 2, Obscurantismo 0

Por enquanto, no campo do STF, dois ministros, Brito e Gracie, fizeram dois gols e puseram o time do progresso, da Ciência, à frente do time do obscurantismo, da Religião.

Que haja uma goleada é o que o país espera, segundo todas as pesquisas.

Porque não custa lembrar que por motivos religiosos até quem defendia que a Terra se movia foi condenado à prisão.

Naqueles tempos, o time da Inquisição ganhava de goleada do time da Ciência, Galileu Galilei e Copérnico que o digam.

Hoje, em pleno século 21, pelas mesmas razões, condena-se o uso da camisinha.

E se busca evitar a pesquisa com embriões.



Escrito por Juca Kfouri às 22h29

terça-feira, 4 de março de 2008

A Abril nos tribunais

Por Guilherme Scalzilli

Do Observatório da Imprensa

O jornalista Luís Nassif está mobilizando a blogosfera com seu dossiê Veja, série de artigos que denunciam o antijornalismo praticado pela revista nos últimos anos. Envolve interesses corporativos, destruição de reputações, tráfico de influência. Desmascara a diretoria editorial da revista e, principalmente, Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi. Trata-se de estudo avassalador, embora não surpreendente, que precisa ser lido e divulgado.

O material já causou estragos. A Veja esboça uma ligeira mudança de tom nas suas edições semanais e há suspeitas de que ela tem obstruído as ferramentas de busca eletrônica aos conteúdos de matérias e postagens antigas – especialmente as que corroborariam as denúncias. A revista processa Nassif e, aparentemente, utiliza funcionários anônimos (além dos supracitados) para espalhar ataques pessoais a ele.

É compreensível que Nassif tente evitar conotações político-partidárias em sua empreitada. Seria (e continua sendo) cômodo para a revista refugiar-se numa batalha moral contra o "lulo-petismo". Quando se trata de ética jornalística, entretanto, não cabem desculpas ideológicas.

E o respaldo da imprensa?

Mas o público sabe que esse comportamento da Veja também possui um viés eleitoral. Ela é acusada de defender interesses que se beneficiam do poder conferido pelas urnas a eles próprios ou a terceiros. Se alguém escancara essa contaminação, direta ou indiretamente, mexe nas suas motivações. Por isso, é importante não esquecer que o gesto de Nassif insere-se num contexto político, pois assim será tratado pelos detratores.

Os grandes veículos, assim como a Associação Brasileira de Imprensa, fingem que a querela não existe. Não querem se expor a exumações semelhantes, principalmente depois que a Folha de S.Paulo foi envolvida num dos episódios denunciados. Os comentaristas abordam a questão com cuidado, sabedores do poder destrutivo de Veja.

Esse comportamento revela muito sobre a categoria. A manipulação teria sido aberta, conhecida por todos, durante anos. E a revista só foi confrontada por iniciativa de um indivíduo isolado que, apesar da força de sua biografia e de seus argumentos, não angariou o respaldo de uma imprensa que se diz combativa e independente (ou melhor, que é "combativa" e "independente" quando interessa).

Precedente histórico

Imagina-se que a direção da revista tenha instruído seus advogados a causarem o maior estrago possível, financeiro e pessoal, na vida de Nassif. As despesas são altíssimas, os prazos dilatados, os resultados incertos e as primeiras instâncias, imprevisíveis. A desigualdade de forças resvala na coerção do gigante empresarial que tenta destruir exemplarmente seus desafetos incômodos.

Mesmo assim, parece alvissareira a hipótese do Judiciário ser constrangido a se manifestar. Passou o tempo de tratar falsos depoimentos, incriminações indevidas, denúncias vazias, deturpações e mentiras como simples efeitos colaterais da liberdade de imprensa. A integridade moral dos indivíduos e o interesse coletivo são protegidos por leis que estão acima de couraças retóricas.

A nobre iniciativa de Nassif não envolve apenas os leitores de Veja e talvez nem o público genérico de periódicos. Trata-se de esclarecer o uso antiético e quiçá ilegal da grande imprensa para favorecer determinadas facções corporativas ou políticas. Tamanha abrangência só pode ser respeitada por um poder de envergadura equivalente, conferindo máxima lisura ideológica à decisão.

O desejável sucesso da defesa do jornalista, ainda que custoso e demorado, pode abrir um precedente histórico e contribuir para uma análise profunda sobre o jornalismo nacional

segunda-feira, 3 de março de 2008

Governo pode rever plano de instituto para células-tronco

OHANNA NUBLAT
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
FSP
O governo federal pode ter que mudar os planos que tem para as pesquisas com células-tronco no país caso o STF decida, na quarta-feira, proibir o uso de embriões em estudos.
Há previsão de apresentar, este ano, um novo edital para pesquisas com célula-tronco e de se criar o Instituto Nacional de Terapia Celular, que reuniria virtualmente os grupos de pesquisa do setor e teria estrutura de laboratórios para desenvolvimento de linhagens de células-tronco brasileiras.
"Se a decisão do Supremo for desfavorável, vamos ter de rever o projeto do instituto, porque uma das coisas importantes é a derivação de linhagens de células-tronco embrionárias brasileiras", afirma Reinaldo Guimarães, secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde. Ele nega, porém, a possibilidade de o instituto não ser criado mesmo com a proibição da pesquisa pelo STF.

"Obscurantismo"
Ainda não há orçamento definido para o novo edital, segundo Guimarães. De 2005 até hoje, os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia gastaram R$ 24,5 milhões no financiamento de 45 pesquisas com células-tronco -adultas e embrionárias- e um estudo com 1.200 pacientes -usando células adultas da própria pessoa.
Coordenador de um dos 45 projetos do edital de 2005, o pesquisador Stevens Rehen, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), classifica a possível proibição do uso de embriões em pesquisas como "volta ao obscurantismo".
"Essa é uma discussão em que o viés não é totalmente científico. Você não pode, pela fé, definir estratégias que podem vir a ter um impacto importante na saúde", disse.
Mas nem todos os que trabalham com células-tronco no país são favoráveis ao uso de embriões. A também pesquisadora Lilian Piñero Eça, presidente do IPCTron (Instituto de Pesquisas de Células-tronco), se diz contra a utilização de embriões por motivos estritamente técnicos. Segundo ela, diferentemente das células-tronco embrionárias, as células adultas (tiradas de outros tecidos) já mostraram seu potencial.
"Como pesquisador, a gente quer pegar uma célula e quer que ela tenha viabilidade de dar certo. A gente não vai perder tempo, dinheiro e esforço numa célula que dá problemas. E hoje não temos protocolos [procedimentos publicados] para saber lidar com a célula embrionária", afirmou.
Eça é membro do Movimento Nacional em Defesa da Vida -Brasil sem Aborto. No ano passado, descobriu-se que ela "inflara" seu currículo ao declarar que era bolsista da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) sem ter bolsa aprovada. Ela negou que tenha agido com má-fé e atribuiu o fato a um "erro".

Longo prazo
Guimarães diz que, tanto no Brasil quanto em outros países, os estudos com células-tronco "engatinham". Diz também que a liberação das pesquisas pelo STF funcionará como estímulo aos cientistas.
"As pesquisas vão bem, mas falar de resultados a curto prazo não corresponde à realidade. A manipulação de células-tronco embrionárias é bem mais complexa que a de células de cordão umbilical. Então, é importante que o STF se pronuncie contra a ação, porque isso vai estimular os pesquisadores", disse.

A imprensa e o estilo Dantas


Na série sobre "O caso Veja", um capítulo para entender o estilo Daniel Dantas de operação e a maneira como Diogo Mainardi e outros jornalistas entraram no sistema de produção.

Clique aqui para ler no Blog ou aqui para ler no Googlepages.

A home da série pode ser acessada clicando aqui.

enviada por Luis Nassif

domingo, 2 de março de 2008

A favor da ciência

Espera-se que o Supremo mantenha a legislação que autoriza a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas
FSP
NA PRÓXIMA quarta-feira, o Supremo Tribunal Federal deverá julgar a ação direta de inconstitucionalidade contra o artigo 5º da Lei de Biossegurança (nº 11.105), que autoriza o uso de células-tronco de embriões humanos para pesquisa. Espera-se que os ministros mantenham o diploma intacto, de modo a permitir e ampliar esse importante nicho de investigação científica.
Células-tronco embrionárias humanas (CTEHs) têm especial interesse para a medicina porque conservam a capacidade de converter-se em qualquer tipo de tecido, de neurônios a osteócitos. Pesquisá-las pode ser a chave para compreender e eventualmente tratar várias doenças degenerativas, como mal de Parkinson, diabetes e até alguns cânceres. Outra possibilidade, bem mais longínqua, é que as CTEHs permitam o cultivo de órgãos sobressalentes 100% compatíveis com o paciente.
O problema com as CTEHs é que elas são em geral obtidas através da destruição do embrião em sua fase de blastocisto (uma centena de células, por volta do quinto dia pós-concepção). Já surgem alternativas, como células-tronco pluripotentes induzidas, que dispensam o aniquilamento do embrião, mas seria precipitado renunciar já a pesquisar todos os tipos de célula.
A argumentação dos que se opõem às investigações tem insofismável inspiração religiosa. Parte do pressuposto de que a vida tem início quando o espermatozóide fecunda o óvulo e de que o concepto resultante é titular de direitos análogos aos de humanos já nascidos, como o direito à vida (artigo 5º da Constituição).
Tal tese não se sustenta no arcabouço jurídico brasileiro. A chamada personalidade civil -o mais próximo de uma definição de vida no direito- só surge quando o bebê nasce vivo (artigo 2º do Código Civil). E é necessário que essa seja a ordem legal, ou todas as mulheres que tenham concebido e perdido o embrião (estima-se que 2/3 a 3/4 dos óvulos fecundados jamais se fixem no útero) se tornariam, pelas regras da sucessão, herdeiras de quem as fecundou.
É claro que o Código Civil também protege os direitos dos nascituros "desde a concepção". Mas não são os mesmos direitos concedidos a um ser com personalidade jurídica, ou a lei jamais poderia autorizar o chamado aborto necessário (art. 128 do Código Penal), executado por médico para salvar a vida da mãe.
Vale notar que a Lei de Biossegurança só autoriza o uso de embriões remanescentes de tratamentos de fertilidade, que não foram nem serão implantados num útero. O destino inexorável desses blastocistos seria a destruição, ou permanecer congelados "in saecula saeculorum".
Cabe aos ministros do STF reafirmar a laicidade do Estado brasileiro e, interpretando o direito em sua máxima positividade, manter a Lei de Biossegurança aprovada pelo Congresso.

Clandestinidade genética

Temendo discriminação por planos de saúde e empregadores, americanos deixam de fazer testes de DNA

AMY HARMON

DO "NEW YORK TIMES"

Victoria Grove, de Woodbury, Minnesota, queria descobrir se estava predestinada a sofrer do tipo de enfisema que afetava várias pessoas de sua família, mas não queria pedir a seu médico o exame de DNA que lhe daria a resposta.
Ela temia não conseguir plano de saúde ou emprego se a predisposição genética à doença aparecesse em seus arquivos médicos, especialmente porque o tratamento da doença, a deficiência de alfa-1 antitripsina, custaria mais de US$100 mil por ano. Em vez disso, procurou um serviço que enviou a sua casa um kit para ela própria colher o material para o exame.
Quando o exame revelou que era virtualmente certo que ela desenvolveria a doença, Grove não informou seu médico sobre o fato. Como estava ciente de que poderia sofrer danos pulmonares se seus episódios de pneumonia não fossem tratados imediatamente, ela procurava a clínica médica ao primeiro sinal de infecção.
Os primeiros e ansiosamente aguardados benefícios da medicina personalizada estão sendo perdidos ou diluídos para muitos americanos que, por temer que informações genéticas possam ser usadas contra eles, deixam de aproveitar sua disponibilidade crescente.
Médicos dizem que, em alguns casos, pacientes que poderiam tomar decisões de saúde mais bem fundamentadas se descobrissem se possuem ou não um risco elevado de sofrer doenças como câncer se negam a fazê-lo devido às conseqüências potencialmente negativas.
Outros ingressam numa espécie de clandestinidade genética, gastando centenas ou milhares de dólares do bolso para fazer exames de DNA que seriam cobertos por seus planos de saúde, para evitar serem sujeitos a escrutínio. Aqueles que descobrem que têm certeza ou alta probabilidade de apresentar uma doença genética freqüentemente imploram aos médicos que não mencionem o fato em seus arquivos.
Alguns pacientes procuram não revelar suas informações aos médicos. E até mesmo médicos que recomendam que seus pacientes façam exames de DNA lhes avisam que eles podem enfrentar discriminação genética por empregadores ou convênios médicos.
Esse tipo de discriminação parece ser raro. Mas as pessoas acostumadas a um sistema de seguro-saúde em que riscos conhecidos implicam em penalidades financeiras estão tirando as próprias conclusões quanto à provável reação suscitada por uma predisposição genética conhecida a uma doença.
Em conseqüência disso, a capacidade de prevenir e tratar doenças genéticas com mais eficácia está diminuindo.
"Está bastante claro que o público teme fazer uso dos exames genéticos", disse Francis S. Collins, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas do Genoma Humano. "Se essa situação continuar, o futuro da medicina que todos gostaríamos de ver acontecer corre o risco de morrer antes de decolar."
Para Grove, 59 anos, foi impossível manter sua doença em segredo. Quando seus sintomas se agravaram, ela foi instruída a voltar à clínica antes que lhe fossem receitados antibióticos. Mas naquele dia tinha ocorrido uma nevasca e ela não estava se sentindo apta a dirigir até a clínica.
Ela se recorda de chorar ao telefone: "Tenho alfa-1. Preciso desse antibiótico"!
Grove se deixou identificar nesta reportagem porque, para o bem de outras pessoas, sentiu-se na obrigação de chamar a atenção da opinião pública para a situação em que se encontra. "Alguma coisa precisa ser feita para que as pessoas não possam ser discriminadas quando tomam conhecimento desses riscos", afirmou.
Os empregadores dizem que a discriminação no local de trabalho já é proibida e que as leis já existentes regem a privacidade dos registros médicos. Mas os defensores dos direitos dos empregados dizem que não há nada nessas leis que impeça explicitamente que empresas que têm custos médicos crescentes evitem contratar funcionários que elas sabem que têm probabilidades maiores de adoecer no futuro.
Os tribunais ainda não assumiram posição sobre o assunto. Quando, em 2002, a Comissão de Igualdade de Oportunidades de Emprego processou a ferrovia Burlington Northern Santa Fe por fazer exames sangüíneos secretos de funcionários que tinham movido ações indenizatórias por síndrome de túnel do carpo, numa tentativa de descobrir uma causa genética dos sintomas, o caso foi resolvido extrajudicialmente.
Os convênios médicos dizem que não pedem a seus potenciais clientes os resultados de exames genéticos, nem exigem que eles façam esses exames. "É um receio infundado", disse Mohit Ghose, porta-voz da America's Health Insurance Plans. "Nosso setor não tem interesse em praticar discriminação com base genética."
Um estudo recente do Instituto de Política de Saúde da Universidade Georgetown chegou a uma conclusão diferente. Em sete de 92 decisões relativas à aceitação de clientes, os convênios disseram que negariam cobertura, cobrariam mais pelos planos médicos ou excluiriam certas condições da cobertura, com base em resultados de exames genéticos.

O custo médico
Muitos profissionais da saúde dizem que, independentemente de a discriminação ocorrer ou não de fato, a ansiedade que ela suscita exige medidas legislativas. Os geneticistas reclamam que o medo da discriminação os impede de recrutar participantes em pesquisas, atrasando o descobrimento de tratamentos de doenças. No Centro de Tratamento de Câncer Memorial Sloan-Kettering, em Nova York, a mesma preocupação é uma das principais razões que levam pacientes a cancelar exames que poderiam detectar riscos de câncer.
"Estamos falando de intervenções com potencial de salvar vidas", disse Kenneth Offit, chefe do serviço de genética clínica do centro. "É uma tragédia que as pessoas estejam assustadas pela possibilidade de sofrerem discriminação."

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O caso de Veja

O próximo capítulo da série "O Caso de Veja" sairá no próximo domingo. Perdão por não manter a frequência diária. Assunto, há. O problema é conciliar com o dia-a-dia.

A série pode ser lida daqui: clique aqui ou clique aqui.

Genomics

Reconstruction of the Genomes

Drew Endy*

"I am the family face; flesh perishes, I live on, projecting trait and trace through time to times anon, and leaping from place to place over oblivion." So starts the poem Heredity by Thomas Hardy, whose protagonist personifies the observation that all life exists through a process of direct descent from one generation to the next. Scientifically, the replication and propagation of genetic material, as DNA or RNA, is the primary mechanism by which each generation transmits the instructions underlying the traits and traces of their offspring. On page 1215 of this issue, Gibson et al. (1) bypass nature's constraint of direct descent by combining information and raw chemicals to construct the entire set of genetic material, or genome, encoding a bacterium (see the figure). This first construction of a genome encoding a self-reproducing organism heralds important opportunities in both genetics and biotechnology, highlights the need for improved DNA construction technology, and reinforces the value of ongoing public discussion of the impacts of making organisms easier to engineer.

Figure 1 Genome construction. DNA sequencing technology decodes the genome of an organism. DNA synthesis and genome construction technologies enable the opposite process. Bacterial genomes can be built from DNA sequence information and raw chemicals.

CREDIT: ADAPTED FROM DREW ENDY

Gibson et al. used a multistage process to construct the genome of Mycoplasma genitalium. First, information defining the 582,970-base pair (bp) DNA sequence of the genome to be synthesized was obtained from a computer database and divided into shorter sections, or cassettes of DNA up to ~7000 bp long. Commercial DNA suppliers then constructed these cassettes. Raw chemicals derived from sugar cane were combined to synthesize specific oligonucleotides, short fragments of DNA up to several hundred base pairs long (2). The suppliers then combined subsets of oligonucleotides to produce the requested cassettes (3). Gibson et al. used a hierarchical scheme to assemble, check, and, as needed, repair ever-longer DNA fragments, eventually producing the full-length genome.

Given that all life is encoded by genetic material, ongoing and future advances in DNA synthesis and genome construction technology will be important. For example, the U.S. National Institutes of Health is estimated to spend ~$1.5 billion annually supporting the manual manipulation of DNA (4). Such work consumes most of the experimental effort for many biologists and biological engineers, a hidden opportunity cost that is harder to quantify. Moreover, the required slavish mastery of ad hoc methods and tedious tools for DNA manipulation discourages most students and researchers in fields such as physics, electrical engineering, and computer science from exploring biomedical and biotechnology research. Thus, an improved ability to provide any DNA molecule quickly, reliably, and economically would enhance and expand life sciences and engineering research (5), and might well become the goal of well-coordinated public research programs. Unfortunately, no such programs exist today.

Meanwhile, consider that most early discoveries of genetically encoded functions depended on analysis of the linkage between natural or randomly generated mutations and phenotypes (6), a powerful approach akin to blindly smashing many cars with a hammer and then determining which broken parts matter by attempting to drive each machine. Over the past 30 years, the invention (7) and development (8) of DNA sequencing technology have provided a complementary approach for discovering genetic functions. By comparing DNA sequence information from different organisms, researchers can now identify sequences that have remained relatively constant throughout millions of years of evolution (9). The presence of a DNA sequence across distantly related organisms implies that disruption of the sequence via an evolutionary "hammer" would have produced a deleterious effect on the organism, and thus the conserved sequence likely encodes an important function.

However, two additional approaches are needed to confirm and exhaustively identify all functions encoded by a natural DNA sequence. Specific DNA sequences thought to affect phenotypes must be purposefully changed and the expected effect confirmed. Also, seemingly irrelevant DNA sequences must be removed, disrupted, or otherwise modified and shown to be unnecessary. To date, the application of these additional approaches has been limited to short DNA sequences (10) or well-studied organisms (11). In developing their genome construction methods, Gibson et al. are hoping to more readily explore whether genes that can be individually disrupted (12) might also be disrupted in combination. Going forward, the ability to implement many simultaneous and directed changes to natural DNA sequences (13) and to build and test synthetic systems (14) will give researchers a powerful new "hammer" for constructing how life works.

The 582,970-bp "synthetic" genome produced by Gibson et al. also unequivocally demonstrates that it is now possible to construct the genomes for all known human viruses, including strictly regulated pathogens (such as smallpox), from publicly available DNA sequence data, methods, and materials. For now, the process of genome construction, as well as the production of an infectious agent given a newly synthesized but inert genome, requires highly skilled experts and considerable resources (Gibson et al. must still demonstrate that their synthesized genome will encode a living bacterium). In the meantime, recent international efforts to establish and coordinate best safety and security practices among competing DNA suppliers can be celebrated and improved (15). And, new efforts might focus on developing professional societies and improved standards of practice among biological engineers.

References

  1. D. G. Gibson et al., Science 319, 1215 (2008); published online 24 January 2008 (10.1126/science.1151721).
  2. Y. Sanghvi, A Roadmap to the Assembly of Synthetic DNA from Raw Materials, http://hdl.handle.net/1721.1/39657 (2007).
  3. S. J. Kodumal et al., Proc. Natl. Acad. Sci. U.S.A. 101, 15573 (2004).
  4. H. Bügl et al., A Practical Perspective on DNA Synthesis and Biological Security, http://dsspace.mit.edu/bitstream/1721.1/40280/1/PPDS.pdf (2006).
  5. D. Baker et al., Sci. Am. 294, 44 (June, 2006)
  6. F. W. Studier, R. Hausmann, Virology 39, 587 (1969).
  7. F. Sanger et al., Proc. Natl. Acad. Sci. U.S.A. 74, 5463 (1977).
  8. R. Carlson, Biosecur. Bioterror. 1, 203 (2003).
  9. G. Bejerano et al., Science 304, 1321 (2004).
  10. T. D. Schneider, G. D. Stormo, Nucleic Acids Res. 17, 659 (1989).
  11. A. W. Murray, J. W. Szostak, Nature 306, 189 (1983).
  12. C. A. Hutchison et al., Science 286, 2165 (1999).
  13. L. Y. Chan et al., Mol. Syst. Biol. 1, 2005.0018 (2005).
  14. M. B. Elowitz, S. Leibler, Nature 403, 335 (2000).
  15. H. Bügl et al., Nat. Biotechnol. 25, 627 (2007).

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Aluno do ensino médio terá bolsa para pesquisa na USP

FSP
A Secretaria de Estado da Educação e a USP (Universidade de São Paulo) fecharam um acordo para conceder neste ano bolsas de iniciação científica na universidade para alunos do 1º e 2º anos da rede estadual de ensino.
Os 360 estudantes escolhidos farão pesquisa nos institutos da USP nas áreas de ciências da natureza, ciências humanas, linguagens e códigos e matemática. A duração da bolsa é de um ano, e os estudantes receberão R$ 150 por mês. Também serão selecionados 60 professores da rede para atuarem como supervisores no projeto.
Os estudantes deverão fazer a pesquisa em horários diferentes daqueles em que assistem às aulas na rede estadual. A carga horária é de oito horas semanais. A intenção do programa Pré-Iniciação Científica é que os alunos tenham, desde o ensino médio, contato com procedimentos e metodologias de pesquisas científicas.
Os alunos podem se inscrever até 3 de março, pela internet: http://cenp.edunet.sp.gov.br/index.htm.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

English grants under review

Funding agency ditches peer review in favour of metrics.

Proposals to radically alter the way English universities are funded could mean that young researchers lose out, academic groups warned last week.

In 2009, a system of 'metrics' will be rolled out to replace the Research Assessment Exercise (RAE) peer-review system in England — the first country to apply metrics to funding on this scale. The new Research Excellence Framework will allocate its £1 billion (US$2 billion) a year funding to departments mainly on the basis of citations, rather than RAE grade. It is an attempt by the Higher Education Funding Council for England (HEFCE) to make the process fairer and the applications process easier.

But academic groups are worried that the new system might discriminate against researchers who have not yet had time to build up many citations. “Obviously you don't want a system that penalizes people at the start of their careers or people who take career breaks,” says Steve Smith, chair of the 1994 Group, an advocacy group that represents a number of high-profile UK universities. “It does worry me.”

A consultation on the new metrics, which closed this month, reveals that academic groups are not entirely against it, but they do have some concerns. Policy experts are uneasy about a wholesale move away from peer review and concerned that the metrics system will not correctly assess the merits of some disciplines, be very costly for institutions initially and may discourage interdisciplinary research. Last year, the HEFCE was warned by its own audit committee that “a number of technical areas require further work if the new system is to have credibility”.

“The RAE undoubtedly had flaws, and it was revised continually to address them,” says Bahram Bekhradnia, director of the UK Higher Education Policy Institute. “But it was probably better than anything that is likely to appear.”

However the HEFCE, which is now analysing the responses to the consultation, defends the new system and thinks that the university sector is now broadly behind the proposals.

Neglected diseases get vaccine research boost

Drug company opens non-profit centre in Italy.

Swiss pharmaceutical giant Novartis has opened a non-profit research institute in northern Italy to develop vaccines for neglected diseases prevalent in the developing world.

“Diarrhoeal diseases cause more deaths in children under five than malaria and AIDS together.”

The new Novartis Vaccines Institute for Global Health is based in Siena, the home of Novartis Vaccines and Diagnostics. It will be managed independently of the commercial vaccine company and will have its own team, focusing initially on diarrhoeal diseases that have been overlooked by the major research funders. “Diarrhoeal diseases cause more deaths per year among children under five than malaria and AIDS together,” says Rino Rappuoli, global head of vaccine research at Novartis, who has been the force behind the venture.

Rappuoli has spent his entire career in vaccine research, joining the Sclavo Institute in Siena 30 years ago, and seeing it through its takeover by Chiron in 1992 and then by Novartis two years ago. “I've had to develop vaccines for the rich world, where our customers are — but I knew how easily our technology and knowledge could be applied to vaccines for the poor world,” he says.

The new institute will be headed by Allan Saul, who led the malaria vaccine programme at the US National Institute of Allergy and Infectious Diseases before moving to Novartis last year. The plan is to develop a polyvalent vaccine (effective against more than one strain) for three forms of Salmonella infection and a polyvalent vaccine for Shigella and ETEC (enterotoxigenic Escherichia coli). Over the next few years, other diseases will be targeted.

Choosing the diseases to focus on was tricky, Saul says. “We started with a list of 57 and whittled it down to a short list of five — all diarrhoeal diseases — where we thought we could get the best return on investment: these diseases kill millions each year, and we can build on existing basic research.”

The institute complements the Novartis Institute for Tropical Diseases, another non-profit organization founded five years ago in Singapore to develop drugs for diseases such as malaria, tuberculosis and dengue fever. The vaccine institute hopes to recruit up to 20 scientists by 2009, and eventually to have around 80 staff working on four programmes. Novartis will pay the institute's staff and running costs, but most of its project money will have to be sought from other sources, such as the Bill & Melinda Gates Foundation.

Time to take control

With money now flowing in, the fight against malaria must shift from advocacy to getting results.

Nature 451, 1030 (28 February 2008)

"The billion-dollar malaria effort is flying blind," declares Mark Grabowsky in a Commentary on page 1051 of this issue. And given that Grabowsky is malaria coordinator of the Global Fund to Fight AIDS, Tuberculosis and Malaria, which disburses almost half the US$1 billion spent annually on malaria control, we might do well to listen.

Grabowsky argues that, above all, malaria control requires data: to assess the present situation, to target control measures and to evaluate their effectiveness. He also says that an adequate surveillance programme would cost as little as $10 million a year. Yet that money has not been forthcoming; malaria managers still lack even the most rudimentary information (see Nature doi:10.1038/news.2008.621; 2008).

The surveillance problem is symptomatic of a wider failure in basic project management. The 'international' malaria effort is actually a hotch-potch of fragmented, country-level projects funded by multiple donors, with little regional and international coordination. Such leadership would normally be provided by the World Health Organization (WHO), as it has done to great effect in the fight against measles and polio. But the WHO-led Roll Back Malaria initiative is mired in bureaucracy and anything but effective (see Nature 430, 935; 2004).

That management problem, in turn, reflects a still deeper issue: the agencies involved in the malaria fight, including the WHO, have for too long been driven largely by advocacy. It's true that advocacy was a supreme need a decade ago, when malaria control was off the radar and gathering a mere $100 million a year. But that mindset has persisted even as the funding has multiplied tenfold.

Take the good news spin put on recent studies showing that bed nets and drugs cut the malaria burden by as much as half in Zanzibar, Ethiopia and Rwanda. That sounds dramatic. But it's hardly unexpected, as the low malaria transmission rates in these countries make the disease comparatively easy to control. And in the meantime, silence surrounds the lack of a single win in high-transmission areas such as the Democratic Republic of the Congo or Nigeria, which account for half the malaria mortality in Africa.

Yes, on-the-ground conditions are difficult, as is reported in Zambia, the flagship of international efforts (see page 1047). But the international malaria effort is still geared towards maintaining donor support instead of getting teams into the field gathering data and delivering basic items such as bed nets. That's why almost no country is near to meeting Roll Back Malaria's target of having 80% coverage with bed nets and drugs by 2010; why malaria is still killing more than 1 million people every year; and why the global control effort is way off track to meet the internationally agreed goal of halving malaria deaths by 2010.

Such goals are undeniably ambitious. But they are a spur to action — and in line with what the WHO has already achieved with measles and polio. What the malaria effort urgently needs now is leadership, and a shift from spin to substance and results.

O jeitinho brasileiro

Por Rui Daher

Até me constranjo, Nassif, em trazer este assunto para um Trivial que homenageia Ari Barroso. Justo ele que sabia como ninguém dar um "jeitinho" para criar obras-primas musicais e pérolas futebolísticas.

Mas este é o espaço reservado para assuntos variados, então, aqui vai, com a licença de Ari. Hoje, a "Folha" nos traz a notícia do lançamento do livro "Cultura das Transgressões, Lições do Brasil", organizado por FHC e Marcílio Marques Moreira.

Escrevem o livro vários pensadores tucanos e quase-tucanos. A tese lá desenvolvida, apoiada em estudo do Banco Mundial e pesquisa do instituto Latinobarometro, é de que o "jeitinho brasileiro" atrapalha nossa economia. Fato que tende a ser resolvido mediante as pressões internacionais advindas com a globalização.

Mais que sempre, hoje é dia de sentir falta de Darcy Ribeiro, Celso Furtado e Gilberto Freyre. Dadivosa, a "Folha", no mesmo caderno (Dinheiro), nos informa que "Escândalo de sonegação europeu se espalha". Em pelo menos treze países. Não duvido que os participantes do livro atribuam o fato aos brasileiros que para lá emigram.

Leia aqui sobre o escândalo da sonegação.

Trote na faculdade

Caio Meneghetti Fleury Lombardi, de 19 anos, chegou às 7h de hoje (25/02/07) para prestar depoimento à polícia no 4º Distrito Policial de Ribeirão Preto. Durante as duas horas que ficou com o delegado Luís Geraldo Dias, o estudante negou ser usuário de drogas e disse que tinha consumido álcool porque foi vítima de um trote na faculdade.

No último dia 11, Caio atropelou Carlos Pereira da Silva. Ele invadiu um posto de combustível, derrubou a bomba e atropelou o frentista. Segundo testemunhas, Lombardi ainda tentou fugir. A polícia pediu a prisão preventiva do estudante, mas ela foi negada pela Justiça.

Veja o vídeo feito pela câmera de segurança do posto, no momento do acidente:

Com a palavra, o paciente do SUS

Queremos ouvir a população de maneira sistemática e ampla para saber o que está funcionando bem e o que precisa melhorar na rede

FSP

NO UNIVERSO do setor privado, ganham cada vez mais requintes as pesquisas de satisfação, serviços de atendimento ao consumidor, avaliação do "marketshare" e desempenho das equipes de cada departamento. São ferramentas indispensáveis que embasam decisões, para orientar novos posicionamentos, redefinir estratégias, conquistar nichos de mercado ou ampliar a fidelidade dos clientes.
É verdade que o setor público também já adotou mecanismos similares há um bom tempo, para aprimorar os serviços prestados aos cidadãos. Na área da saúde, por exemplo, os hospitais estaduais de São Paulo possuem ouvidoria própria, e muitos deles realizam pesquisas internas com pacientes e familiares para verificar o que está bom e o que precisa ser melhorado em relação ao atendimento de médicos e demais funcionários, acomodações, infra-estrutura e serviços.
Neste ano, em que o SUS (Sistema Único de Saúde) está completando 20 anos, chegou a hora de ampliar o espaço para que os cidadãos atendidos na rede pública de saúde possam manifestar sua opinião quanto ao atendimento oferecido pelos hospitais estaduais, municipais, federais e filantrópicos do Estado de São Paulo, que realizam nada menos do que 200 mil internações em média por mês para o SUS paulista.
A partir deste mês de fevereiro, todos os pacientes que forem internados pelo SUS receberão em suas residências, após a alta hospitalar, um formulário contendo seus dados pessoais, o hospital em que receberam o tratamento, as datas de admissão e de alta, o motivo da internação e o valor pago pelo SUS/SP. Haverá cinco perguntas específicas sobre a qualidade do procedimento médico realizado, o tempo de espera para exame e internação, a avaliação do local de tratamento e o grau de satisfação com o atendimento prestado por médicos, enfermeiros e auxiliares.
O Programa de Satisfação dos Usuários do Sistema Único de Saúde do Estado de São Paulo e Monitoramento da Qualidade da Gestão dos Serviços será um verdadeiro "provão", que envolverá os 617 hospitais paulistas conveniados aos SUS, com o objetivo de monitorar a qualidade de atendimento e a satisfação do usuário, reconhecer os bons prestadores, identificar possíveis irregularidades e ampliar a capacidade de gestão eficiente da saúde pública no Estado.
Os primeiros a avaliar os hospitais serão os pacientes que foram internados em novembro de 2007. As unidades com melhores avaliações serão premiadas pela Secretaria de Estado da Saúde. Já os hospitais com avaliações insatisfatórias receberão orientações técnicas e terão os profissionais treinados pelo Estado para que possam modificar e aperfeiçoar suas condutas. No entanto, em caso de irregularidades, os hospitais poderão ser penalizados com multa, perda de auxílio financeiro e até mesmo o descredenciamento junto ao SUS.
Pela pesquisa será possível identificar, por exemplo, se o paciente pagou algum valor pelo procedimento médico realizado ou se as informações prestadas pelo hospital diferem do tipo de atendimento que o usuário efetivamente recebeu. A partir do cruzamento desses dados, a secretaria poderá identificar indícios de fraudes que, se comprovadas, irão gerar sanções, seja aos profissionais envolvidos, seja à própria unidade.
Na correspondência encaminhada pelo governo paulista aos usuários do SUS, haverá um código de identificação de cada usuário. O paciente poderá responder a pesquisa pelo correio, por telefone ou pela internet, sem qualquer custo. É fundamental, portanto, que todos aqueles que receberem o formulário confiram os dados impressos e dediquem alguns minutos a responder as questões da pesquisa, contribuindo, assim, para aprimorar a assistência médica e hospitalar e afastar os maus prestadores.
Com essa iniciativa, queremos ouvir a população de forma sistemática e ampla para saber o que está funcionando bem e o que deve melhorar em todos os serviços de saúde da rede pública. Dessa forma, teremos elementos para reordenar ações e redimensionar o atendimento prestado pelo SUS em todo o Estado, em favor de todos os paulistas.


LUIZ ROBERTO BARRADAS BARATA, 54, médico sanitarista, é secretário de Estado da Saúde de São Paulo.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Pesquisadores querem liberdade para ir além do 'arroz com feijão'

Físicos brasileiros cobram mais apoio do CNPq para projetos de risco, que podem ou não resultar em publicações

Herton Escobar

“O Brasil já faz muito bem o arroz com feijão. Está na hora de fazer coisas mais sofisticadas.” Com essa analogia culinária, o físico Constantino Tsallis chama a atenção para um gargalo cada vez mais apertado, que ameaça estrangular o crescimento da ciência brasileira: a dificuldade de distribuir recursos escassos, de maneira equilibrada, para uma população cada vez maior e mais exigente de pesquisadores.

Pelas regras atuais do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), principal órgão de fomento à pesquisa do governo, apenas projetos mais convencionais são contemplados, enquanto trabalhos mais arriscados e de longo prazo acabam negligenciados, segundo o físico.

Uma rigidez burocrática que, segundo ele, inibe a ousadia intelectual dos pesquisadores e diminui as chances de o País chegar a descobertas científicas mais significativas - daquelas que podem render um Prêmio Nobel. “Ninguém ganha o Nobel fazendo feijão com arroz. Isso todo mundo faz”, aponta Tsallis, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio.

Pratos mais elaborados, segundo ele, exigem liberdade para ousar nos condimentos e experimentar novas receitas. “Pela mentalidade atual, projetos de grande risco são jogados fora quase que de cara”, afirma Tsallis. “Muitas pesquisas que poderiam ter um impacto grande acabam não sendo feitas”, concorda o diretor do CBPF, Ricardo Galvão. “O pesquisador simplesmente não se arrisca. Prefere continuar sempre na mesma linha de pesquisa, porque sabe que aquilo vai render resultados garantidos.”

Tsallis, de 64 anos, expôs suas críticas em uma carta aberta à Sociedade Brasileira de Física (SBF), publicada no mês passado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC).

O texto é especialmente direcionado ao Comitê de Assessoramento de Física e Astronomia do CNPq, grupo de cientistas responsável pela avaliação e concessão das prestigiosas Bolsas de Produtividade em Pesquisa. Mas as críticas, segundo Tsallis, valem para todo o sistema de bolsas e fomento.

Para ele, falta flexibilidade ao CNPq para apoiar cientistas que não se encaixam no modelo padrão de produção. Ele questiona algumas exigências básicas, como a obrigação de orientar alunos de doutorado e publicar um número mínimo de trabalhos por ano em revistas selecionadas.

“São todos critérios razoáveis, que na média funcionam muito bem, mas que, usados da maneira errada, se tornam extremamente nocivos”, disse Tsallis ao Estado. “Os critérios deveriam ser sempre indicativos, nunca eliminatórios.”

A reclamação, curiosamente, parte de um cientista que não tem muito do que reclamar. Nascido na Grécia e nacionalizado brasileiro, Tsallis preenche com folga todos os requisitos do CNPq. Mantém bolsa de produtividade há mais de 20 anos, já orientou 26 teses de doutorado e tem quase 300 trabalhos publicados, com cerca de 8 mil citações - números que o qualificam como um dos cientistas mais influentes no País.

É também o cientista brasileiro com o segundo maior número de citações nominais (quando um outro cientista menciona seu nome no título de um trabalho, por exemplo), com 1.019 citações - atrás apenas de Carlos Chagas, que tem 5.598. Isso graças a uma importante teoria da física estatística que ele publicou em 1988, conhecida como “entropia de Tsallis”. “Levanto essa questão porque estou cansado de ver dúzias de bons cientistas serem desestimulados pelo mau uso de critérios”, afirma o físico.

O Estado conversou com vários pesquisadores sobre o tema. Muitos concordaram com Tsallis, outros consideraram suas críticas exageradas e influenciadas por motivações pessoais. Mas todos estão de acordo que o sistema de avaliação brasileiro pode - e deve - ser melhorado. Ou pelo menos discutido (leia texto abaixo).

“Durante toda a minha gestão no CNPq insisti para que a comunidade científica discutisse os critérios de julgamento adotados pelos comitês”, disse o pesquisador Erney Camargo, da Universidade de São Paulo (USP), que presidiu o CNPq de 2003 a 2007. “O professor Constantino está apenas fazendo o aconselhável e sua proposta (de debater o tema) coincide plenamente com minha posição.”

Globalizados de segunda classe

Por Andre Araujo

O tema do mau tratamento de brasileiros no exterior volta hoje à FOLHA em manchete de primeira página (clique aqui).

O Brasil é recordista absoluto, desde 2004, em nacionalidades barradas na entrada do Reino Unido, tanto em numeros absolutos como em numeros relativos. Foi a nacionalidade mais deportada entre todas em 2006, 4.985 pessoas , que correspondem a 14,4% de viajantes brasileiros para o Reino Unido. A segunda nacionalidade foi a paquistanesa, com menos da metade, 2.035, correspondente a apenas 5,9% do seu total de viajantes. Não foi um ano isolado. Em 2005 e 2004 os mesmo numeros e percentuais se registraram aproximadamente.

É algo extraordinário. O contingente de brasileiros viajando para a Inglaterra é dos menores entre todas as nacionalidades, ,182 mil mas o numero de barrados é o maior entre todas, considerando que entram lá mais de 4 milhões de americanos e 800 mil indus por ano.

Alguma coisa acontece.

Não se viu sobre esses numeros espantosos nenhum comentário do Itamaraty.

Os brasileiros estão sendo claramente discriminados no exterior.

O Itamaraty não demonstra preocupação com isso. O tema imigração, pela cultura da casa, não é assunto de Estado, de alto nivel, tipo Rodada de Doha ou Conselho de Segurança. Como tal, é relegado a diplomatas de menor prestigio e qualificação. Isso vem de longe. No entanto, muitos paises importantes entendem que a agressão a um nacional é uma agressão ao Pais e como tal agem. Os EUA pensam assim.

O Reino Unido tambem. O Brasil não.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Luis Nassif, Veja e a blogosfera

Do blog do Pedro Doria

Algo de muito importante está acontecendo na blogosfera brasileira desde que Luis Nassif começou a publicar suas reportagens a respeito da revista Veja: a conversa mudou de patamar. Das picuinhas habituais entre blogs de esquerda e de direita, entrou no bate-boca algo novo.

Informação.

A picuinha política habitual do ‘meu roubo é menor que o seu’ é capaz, no máximo, de dizer que o outro é burro por ser de esquerda. Ou por ser de direita, tanto faz. Mau caráter por apoiar o governo passado. Ou o atual. O debate entre esquerda e direita não tem discutido qual o melhor projeto de educação para o Brasil. Ignora como deve ser feita uma redistribuição tributária. Ele é capaz de dar apelidos criativos para programas de uma administração ou de outra mas após a graça do apelido, de crítica criteriosa e bem argumentada não sobra muito. Uma pena.

A esquerda não gosta da Veja porque a revista é de direita. Ou porque se opõe ao governo corrente. São, ambos, argumentos de péssima qualidade. Primeiro porque num ambiente de plena liberdade de imprensa, um órgão de comunicação pode defender o tom ideológico que bem entender. Segundo porque imprensa tem mesmo que ser de oposição a qualquer governo. Terceiro porque o governo não precisa de defensores. Tem poder. Muito poder. Poder suficiente para voltar-se com raiva contra qualquer órgão de imprensa e tentar sufocá-lo, recusando-se a publicar anúncios. É o tipo de poder que governo nenhum deveria usar. (No Brasil, a federação é a maior anunciante.) O critério único para a publicação da publicidade estatal deveria ser circulação. Quem atinge mais leitores deveria ser privilegiado. É o tipo de poder que, por hábito, os governos sempre usam.

A obrigação que um órgão de imprensa tem para com seus leitores é o bem informar. Ela pode ter um ponto de vista, mas deve apresentar toda informação necessária para que o leitor possa fazer uma avaliação ele próprio dos fatos. Isto Veja não tem feito. Seleciona a informação que lhe convém. Não é a tradição da revista. É uma inovação. As reportagens de Nassif contam o como, o quando, o quem e o por quê.

Fatos não existem no vácuo. Têm contexto, interpretação e ponto de vista. Algumas informações que Nassif apresenta talvez venham a ser contestadas. É uma briga dura a que virá. Mas quem sai ganhando é o leitor pelo serviço prestado. Porque agora ele tem informação para sustentar o que pensa. O leitor do outro lado por certo está circulando os blogs oficiais ou oficialescos da direita procurando contra-argumentos. E alguém deveria ser capaz de oferecê-los. Quando o debate sobe um degrau, o da informação e não apenas da picuinha, o país ganha.

Nassif recorreu a um instrumento tradicional, o da reportagem, para levar a seus leitores a informação que coletou, certamente, após muitas entrevistas. (Dá trabalho informar.) Mas como foi via blog que divulgou, a blogosfera melhora. Temos uma blogosfera que não costuma informar muito, quanto mais produzir informação do zero. A esperança, agora, é que seguindo ele, sem histeria, alguém pegue as atividades da Secretaria de Comunicação do atual governo – ou mesmo do governo passado – e mostre seus hábitos. Quem é favorecido, quais seus critérios de distribuição de propaganda, qual a linha editorial habitual dos agraciados, quanto circulam.

Costumamos, jornalistas, cobrar das estruturas do governo e das grandes empresas que sejam transparentes. A imprensa – e, sim, isto inclui blogs – tem uma das tarefas mais delicadas da democracia. É a ela que cabe informar. É através dela que o público toma conhecimento do que acontece. Sem uma imprensa livre não é possível formar opinião. A mesma transparência que a imprensa cobra de governo e empresas deve ser cobrada de volta.

Provavelmente vai ter briga e vai ter polêmica. É do tipo saudável.

(Vale ler o que Carlos Castilho tem escrito a este respeito em seu blog, já foram três textos: um, dois, três.)

Um convite à boa educação

HOJE RECOMEÇAM as aulas em todas as escolas estaduais de São Paulo. Trata-se da maior rede do Brasil, presente nas 645 cidades paulistas, com 5.500 escolas e 300 mil funcionários, entre eles 250 mil professores. São 5 milhões de estudantes. Os números impressionam até mesmo os mais experientes gestores, do segmento público ou privado, educacional ou não.
Nesse universo de números gigantescos é que São Paulo, pela primeira vez na história da educação brasileira, tomará a iniciativa de dedicar os 42 dias iniciais do calendário letivo à recuperação de aprendizagem. Nas primeiras seis semanas do ano letivo, as escolas estaduais já começam com atenção especial a duas disciplinas, essenciais para o futuro dos alunos: matemática e língua portuguesa. Os 3,6 milhões de alunos de 5ª a 8ª séries e do ensino médio participarão. Como tudo em São Paulo, não é uma simples ação. Envolve 160 mil professores e 4.200 escolas estaduais.
Ao adotar essa medida, a Secretaria de Estado da Educação tem a certeza de estar cumprindo sua função de subsidiar as escolas com uma proposta para aprimorar competências imprescindíveis. Com matemática, leitura e escrita aprimoradas, os estudantes ganham estruturas de compreensão e intelecção de textos e para operações lógico-matemáticas. As habilidades permitem que haja prosseguimento no aprendizado, que ciências, geografia, enfim, outras áreas, se tornem fonte de conhecimento.
Alunos e educadores terão dois tipos de material: o "Jornal do Aluno" e a "Revista do Professor". O jornal contém atividades didáticas interessantes, que atraem os estudantes. Será o companheiro dos alunos nestes 42 dias. O material didático para os professores, a revista, traz 784 páginas de indicativos para os educadores.
A secretaria capacitou professores, supervisores, assistentes técnico-pedagógicos e diretores. Esse time terá o objetivo de reforçar matemática e língua portuguesa, mas sem abandonar os conteúdos obrigatórios. Por exemplo, as aulas de história darão ênfase à leitura e à interpretação de textos dos conteúdos previstos no currículo. As aulas de geografia abordarão seus conteúdos com ênfase em gráficos e estatísticas. Todas as disciplinas terão este enfoque.
As mudanças não param por aí. Seguida à recuperação intensiva, a secretaria implantará a nova proposta curricular para 5ª a 8ª séries e ensino médio. Os professores terão base curricular comum para o ensino em sala de aula. Terão um guia seguro com indicações e sugestões de trabalho. Para cada aula haverá indicação do que os alunos precisam aprender. Essa proposta curricular contou com a participação de toda a rede, com 3.000 idéias.
Essa ação é fundamental porque o professor de escola pública no Brasil, de modo geral, enfrenta seus desafios cotidianos sem uma referência mínima na qual se mirar. Poucos Estados brasileiros dispõem para oferecer às escolas esse material, no qual estejam incluídos os assuntos a serem abordados em cada disciplina em detalhes. A experiência mostra que professores com um apoio didático dessa natureza vão mais longe em sala de aula. Investir na organização estruturada de um currículo, como fizeram alguns países bem-sucedidos na educação, é fundamental.
A atenção aos alunos de 5ª a 8ª série e de ensino médio não tirou do governo do Estado a preocupação com a base, com a 1ª a 4ª série. São Paulo amplia neste ano o projeto Ler e Escrever, que, como meta principal, traz a obsessão em alfabetizar todos alunos com até oito anos. Queremos que até 2010 não haja criança com oito anos de idade sem saber ler e escrever.
Também com materiais estruturados, recuperação de estudantes em dificuldade e um professor auxiliar nas salas de 1ª série, ao lado do professor titular, vamos preparar nossas crianças para uma continuação escolar mais segura, com o aprendizado em dia.
O primeiro passo foi dado. O sucesso dessa iniciativa, a partir de hoje, depende do interesse e da vontade de todos os participantes -pais, professores, diretores e alunos- em fazer dar certo. Esses são os principais protagonistas da educação paulista. O convite está feito. Desejamos um excelente ano de trabalho a todos os nossos professores e alunos.

MARIA HELENA GUIMARÃES DE CASTRO , 61, é professora da Unicamp e secretária Estadual de Educação. Foi secretária-executiva do Ministério da Educação e presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).

Ensino público de qualidade

FERNANDO HADDAD E ROBERTO MANGABEIRA UNGER

MELHORAR A qualidade do ensino público é hoje reconhecida prioridade da nação. Para traduzir esse consenso em ação, colaboramos em duas iniciativas. A primeira é a construção de uma rede de escolas médias federais, com dimensão técnica e profissional. A segunda é proposta para reconciliar a gestão das escolas pelos Estados e municípios com padrões nacionais de investimento e qualidade.
O projeto da rede de escolas federais aprofunda e amplia a concepção das escolas técnicas federais que já estão em construção. Quando alcançar a dimensão prevista, essa rede deve absorver cerca de 10% do universo de matrículas da escola média. Muito mais, portanto, do que projeto piloto, para poder surtir efeito transformador. Muito menos, porém, do que o universo total das matrículas da escola média, para reforçar, em vez de substituir, o esforço dos Estados, aos quais cabe, nesse campo, a responsabilidade principal.
São três os objetivos do projeto. Deles resultam as diretrizes que o devem pautar. O primeiro é consertar o elo fraco do nosso sistema escolar: o ensino médio. Recentemente, houve parada e, em alguns momentos, até queda no número de alunos matriculados no ensino médio. É preciso fazer mais do que os Estados fazem agora.
O segundo objetivo é aproveitar a escola média como lugar privilegiado para mudar o paradigma pedagógico dominante no ensino brasileiro. A tarefa é ultrapassar o ensino enciclopédico e informativo sem cair em modismos pedagógicos. O foco deve ser em capacitações básicas: nos métodos de análise verbal e numérica e no uso criterioso da informação. O aprofundamento seletivo é, para isso, mais útil do que a superficialidade abrangente. E o requisito para que essa mudança se efetue é a formação do professorado. O magistério deve ser organizado, com a ajuda do governo federal, como carreira nacional.
E contar com oportunidades de atualização ao longo da carreira. O terceiro objetivo é inovar na prática do ensino técnico e profissional.
Não basta oferecer ensino tradicional de ofícios rigidamente especializados. Esse é um modelo de aprendizagem vocacional que está em crise em países como a Alemanha, que nele tradicionalmente se distinguiram. Não basta por razões práticas. O trabalhador do futuro precisa dominar conjunto de capacitações conceituais e práticas genéricas. Não basta por razões políticas. Não queremos contraste entre ensino generalista para as elites e ensino especialista para as massas.
Nossa segunda iniciativa tem a ver com problema fundamental do nosso ensino, com analogias em todos os setores da política social: como reconciliar a gestão local das escolas com padrões nacionais de investimento e de qualidade. A qualidade do ensino que uma criança recebe não deve depender do acaso do lugar onde ela nasce.
Para que se reconciliem esses dois imperativos, precisamos de três instrumentos. No primeiro -sistema nacional de monitoramento e avaliação-, já avançamos com a Prova Brasil e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). No segundo -mecanismo para redistribuir recursos e quadros dos lugares mais ricos para os mais pobres-, começamos, com o Fundeb, a avançar. Porém, no terceiro -um procedimento de reparação quando, apesar de todos os esforços, uma rede escolar local não consiga atingir patamar mínimo-, demos apenas um primeiro passo, com os Planos de Ações Articuladas, previstos no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que torna realidade o regime de colaboração.
Resta perguntar o que se deve fazer se, apesar dos esforços conjuntos, alguns municípios não conseguirem oferecer ensino respeitando patamar mínimo de qualidade. É preciso pensar formas mais complexas de associação entre os governos federal, estaduais e municipais, em órgãos conjuntos que possam vir em socorro de qualquer rede escolar local em dificuldades. Não se trata de fazer com que um governo usurpe poderes de outro. Mas de seguir o caminho de flexibilização do federalismo que caracteriza as democracias federativas contemporâneas mais desenvolvidas.
São iniciativas destinadas a emancipar o povo brasileiro. Precisam ser debatidas em todo o país, para que se corrijam seus defeitos e se aproveite seu potencial. Nosso país fervilha de energia humana desequipada e dispersa. Só precisa de instrumentos, sobretudo dos instrumentos capacitadores da educação. Lutemos para transformar o espontaneísmo inculto em flexibilidade preparada. É o que de mais importante o povo brasileiro pode hoje fazer para si mesmo.

FERNANDO HADDAD , 45, advogado, mestre em economia, doutor em filosofia, é ministro da Educação.
ROBERTO MANGABEIRA UNGER, 60, professor titular da Faculdade de Direito da Universidade Harvard (licenciado), é ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos e ex-colunista da Folha.

A brasileira deserdada

Por Andre Araujo

Um dos melhore serviços diplomáticos do mundo, o nosso Itamaraty, tem um estranho viés de inferioridade na defesa dos nacionais brasileiros no exterior. Fazem o diabo com brasileiros, humilham, prendem, deportam, como no caso da professora de fisica da USP, Patricia Camargo Magalhães, detida por tres dias no aeroporto de Barajas em Madrid, em uma sala de 9 metros quadrados, jogada no chão, no meio de 30 outros detidos,sem sequer poder usar escova de dentes, quando iria do Brasil para participar de um congresso de Física em Lisboa, com escala em Madrid.

O que aconteceu foi inominavel. Detida, identificou-se, apresentou o convite para o Congresso, deu referencias, o seu orrientador na USP enviou um fax referendando sua condição, de nada adiantou. Depois desses infernais tres dias de detenção, foi deportada.

O que fez o Brasil, representado pelo seu Governo e este pelo Itamaraty no exterior? Nada.

O Consulado em Madrid não se mexeu. É inacreditavel.

Um dos maiores paises do mundo, por extensão e interesses internacionais, com uma economia respeitada, não sabe se dar ao respeito.

Convocaram o Embaixador espanhol em Brasilia para protestar? Claro que não.

Retaliaram como poderiam fazercom relação a espanhois no Brasil? Nem pensar. Como fica o complexo de inferioridade, tão caro aos nossos diplomatas?

Pois um dos principais motivos para existirem Embaixadas e Consulados é defender os nacionais do País no exterior. Não para o Itamaraty. Ficar mal com o anfitrião? Nunca.



enviada por Luis Nassif